A economia moçambicana apresentou sinais de recuperação durante o primeiro trimestre de 2026, com a atividade económica a crescer 0,1% em termos trimestrais, segundo indicadores divulgados pelo Banco de Moçambique. Embora o crescimento seja moderado, especialistas consideram que o resultado demonstra uma melhoria gradual do desempenho económico, num contexto marcado por desafios internos e incertezas na economia mundial.

De acordo com a avaliação das autoridades monetárias, o comportamento positivo da economia foi influenciado pelo desempenho de vários setores produtivos, incluindo agricultura, comércio, transportes, comunicações e alguns segmentos da indústria. O aumento da atividade empresarial e a recuperação gradual da procura interna também contribuíram para a evolução dos indicadores económicos, refletindo uma maior confiança por parte dos agentes económicos. Analistas económicos explicam que o crescimento observado ocorre após um período em que empresas e consumidores enfrentaram dificuldades provocadas pelo aumento dos custos de produção, taxas de juro elevadas e desaceleração da procura em alguns mercados internacionais. Apesar disso, a estabilidade da inflação, a manutenção da taxa MIMO e a recuperação de determinados investimentos têm criado condições para uma melhoria gradual do ambiente económico.

O Banco de Moçambique considera que a evolução da atividade económica está igualmente relacionada com a continuidade de investimentos em setores estratégicos como energia, mineração, infraestruturas e agricultura comercial. Grandes projetos de gás natural, investimentos públicos e privados e a modernização de infraestruturas logísticas continuam a desempenhar um papel importante na dinamização da economia e na criação de oportunidades para empresas nacionais. No setor privado, empresários reconhecem que os sinais de recuperação são positivos, mas defendem que ainda existem desafios significativos. Entre as principais preocupações destacam-se o elevado custo do crédito, os encargos com combustíveis, as dificuldades de acesso ao financiamento e a necessidade de maior simplificação dos processos administrativos para estimular novos investimentos. Especialistas defendem que a consolidação do crescimento dependerá da continuidade das reformas económicas, da melhoria do ambiente de negócios e do reforço da confiança dos investidores. A implementação de políticas que promovam a diversificação da economia, o aumento da produtividade e o fortalecimento das pequenas e médias empresas é apontada como essencial para acelerar o ritmo de expansão económica nos próximos trimestres.

Outro fator considerado decisivo para o desempenho da economia é a evolução dos grandes projetos de gás natural em Cabo Delgado. A retoma dos investimentos neste setor poderá gerar um efeito multiplicador sobre diferentes atividades económicas, aumentando o emprego, as exportações e as receitas fiscais do Estado. Paralelamente, investimentos na agricultura, indústria transformadora e turismo poderão contribuir para reduzir a dependência dos recursos naturais e tornar o crescimento mais sustentável. Economistas alertam, contudo, que Moçambique continua exposto a riscos externos, como a volatilidade dos preços internacionais das matérias-primas, alterações nas condições financeiras globais e fenómenos climáticos extremos que afetam a produção agrícola. Estes fatores exigem uma gestão macroeconómica prudente e políticas públicas orientadas para reforçar a resiliência da economia.

Analistas concluem que, apesar de o crescimento de 0,1% ser modesto, o resultado representa um sinal encorajador para a economia moçambicana. Caso os investimentos previstos sejam concretizados e o ambiente macroeconómico permaneça estável, Moçambique poderá consolidar a recuperação económica ao longo de 2026, criando melhores condições para o investimento privado, a geração de emprego e o aumento do rendimento das famílias.