O Projecto Rovuma LNG, localizado na Área 4 da Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, poderá transformar profundamente a economia moçambicana nas próximas décadas. Um estudo macroeconómico divulgado pelo Standard Bank, em parceria com a consultora Conningarth Economists, estima que o empreendimento poderá gerar cerca de 4 mil milhões de dólares norte-americanos por ano em receitas fiscais para o Estado, além de acrescentar aproximadamente 11 mil milhões de dólares anuais ao Produto Interno Bruto (PIB) quando atingir a fase plena de produção.

Segundo o estudo, o impacto do projecto vai muito além da exploração de gás natural. As projeções indicam que o Rovuma LNG poderá criar cerca de 151 mil postos de trabalho ao longo da cadeia de valor, incluindo empregos diretos, indiretos e induzidos. O aumento da atividade económica deverá beneficiar setores como construção civil, transportes, logística, comércio, hotelaria, serviços financeiros e indústria transformadora, reforçando a capacidade produtiva do país e promovendo novas oportunidades de negócio para empresas nacionais.

O relatório destaca ainda que o projecto poderá gerar uma contribuição anual de cerca de 9 mil milhões de dólares para a balança de pagamentos, fortalecendo as reservas internacionais de Moçambique e aumentando a disponibilidade de divisas. Paralelamente, prevê-se uma melhoria do rendimento médio das famílias, impulsionada pela criação de emprego, pelo crescimento das empresas fornecedoras e pelo aumento do investimento privado em diferentes regiões do país.

Outro dado relevante apresentado pelo Standard Bank refere-se ao Fundo Soberano de Moçambique, criado para administrar parte das receitas provenientes da exploração dos recursos naturais. As projeções apontam que o fundo poderá acumular até 81 mil milhões de dólares em ativos reais até 2056, caso as receitas sejam geridas de forma responsável e de acordo com os objetivos definidos pela legislação nacional. Especialistas defendem que estes recursos poderão financiar investimentos estratégicos em educação, saúde, infraestruturas, inovação tecnológica e diversificação económica.

O estudo estima ainda que a taxa média de crescimento económico de Moçambique poderá aumentar de 3,3% para cerca de 4,1% ao ano durante o período de desenvolvimento do projecto. Além do impacto direto do investimento, o crescimento deverá resultar da expansão de atividades económicas associadas ao setor energético, criando um efeito multiplicador sobre toda a economia nacional.

Especialistas em energia consideram que o Rovuma LNG representa um dos maiores projetos privados em desenvolvimento no continente africano. Com um investimento estimado em cerca de 30 mil milhões de dólares, liderado pela ExxonMobil e pelos restantes parceiros da Área 4, o empreendimento deverá posicionar Moçambique entre os principais exportadores mundiais de gás natural liquefeito, reforçando a sua importância no mercado energético internacional. Apesar das perspetivas positivas, economistas alertam que o sucesso do projecto dependerá da manutenção da estabilidade em Cabo Delgado, da continuidade das reformas económicas e da implementação de políticas que favoreçam a participação das empresas moçambicanas na cadeia de fornecimento. Defendem igualmente que a gestão transparente das receitas será determinante para garantir que os benefícios do gás natural sejam convertidos em desenvolvimento económico e social para toda a população.

Analistas concluem que o Projecto Rovuma LNG poderá marcar uma nova etapa na economia de Moçambique. Se as previsões se confirmarem, o país terá condições para aumentar significativamente as receitas públicas, fortalecer a sua posição como produtor de energia, atrair novos investimentos internacionais e acelerar o processo de industrialização, consolidando um modelo de crescimento sustentável baseado na valorização dos seus recursos naturais.