O setor privado moçambicano voltou a apresentar sinais de recuperação durante o segundo trimestre de 2026, refletindo uma melhoria gradual da atividade empresarial após um período marcado por elevados custos operacionais e incertezas económicas. Indicadores recentes do ambiente de negócios mostram que várias empresas registaram um aumento da produção, das encomendas e da confiança dos investidores, embora persistam desafios relacionados com o acesso ao financiamento, o custo dos combustíveis e a elevada carga de despesas de funcionamento. De acordo com análises do mercado, a recuperação tem sido impulsionada principalmente pelos setores do comércio, serviços, indústria transformadora e logística, que beneficiaram da estabilização da inflação, da manutenção da política monetária e do aumento da procura por determinados bens e serviços. O crescimento da atividade económica também foi favorecido pela continuidade de investimentos públicos e privados em áreas estratégicas, incluindo energia, infraestruturas e agricultura comercial.

Apesar dos sinais positivos, empresários afirmam que o ambiente de negócios continua a exigir prudência. O custo do crédito permanece elevado devido à manutenção da Prime Rate em 15,50%, dificultando o acesso ao financiamento para pequenas e médias empresas que pretendem expandir as suas operações ou investir em novos equipamentos. A subida dos custos dos combustíveis e dos transportes continua igualmente a pressionar os preços de produção e distribuição, reduzindo as margens de lucro em diversos setores. Especialistas em economia explicam que o Índice dos Gestores de Compras (PMI), utilizado para avaliar o desempenho do setor privado, indica uma evolução favorável da atividade empresarial quando se mantém acima dos 50 pontos. Os resultados mais recentes sugerem que as empresas continuam a recuperar gradualmente, impulsionadas pelo aumento das novas encomendas e pela melhoria das expectativas quanto ao desempenho da economia nos próximos meses.

O setor industrial tem demonstrado maior dinamismo, sobretudo nas empresas ligadas ao processamento de alimentos, materiais de construção e produção de bens de consumo. Paralelamente, operadores logísticos e empresas de transporte registam um crescimento da procura, resultado da intensificação das atividades comerciais e da movimentação de mercadorias nos principais corredores económicos do país. Economistas consideram que a continuidade dos grandes projetos de investimento, particularmente nos setores do gás natural, mineração e infraestruturas, poderá criar um efeito multiplicador sobre o restante tecido empresarial. A procura por fornecedores nacionais, serviços especializados e mão de obra qualificada tende a aumentar, criando oportunidades para pequenas e médias empresas integrarem cadeias de valor de maior dimensão.

Contudo, especialistas alertam que a consolidação da recuperação dependerá da implementação de reformas que facilitem o ambiente de negócios. Entre as prioridades apontadas estão a simplificação dos processos administrativos, a redução dos custos logísticos, o reforço da segurança jurídica, a melhoria do acesso ao crédito e a promoção da inovação tecnológica nas empresas. Representantes do setor empresarial defendem ainda que políticas públicas voltadas para o incentivo à produção nacional e ao empreendedorismo poderão aumentar a competitividade das empresas moçambicanas. O investimento em formação profissional, digitalização e modernização industrial é visto como essencial para preparar o setor privado para responder às exigências dos mercados regionais e internacionais.

Analistas económicos concluem que, embora os desafios permaneçam significativos, os indicadores atuais demonstram que o setor privado moçambicano continua a recuperar de forma gradual. A manutenção da estabilidade macroeconómica, aliada ao aumento dos investimentos e à implementação de reformas estruturais, poderá fortalecer a confiança dos empresários e criar condições para um crescimento económico mais sustentável ao longo dos próximos anos.